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quinta-feira, 28 de abril de 2011

PIQUIÁ DE BAIXO E O “LE MONDE DIPLOMATIQUE”

Era o mês de Setembro de 2010 e na nossa cidade um frêmito de alegria percorreu as veias dos administradores locais. Açailândia era destaque na imprensa nacional, lembrada como uma das 6 cidades brasileiras do futuro, uma das 6 cidades brasileiras onde o desenvolvimento que chegaria  seria sinônimo de riqueza e prosperidade: Açailândia era o orgulho dos açailândenses.


É o mês de abril e de novo a nossa cidade é destaque na imprensa e, desta vez, se trata da imprensa internacional. “Le Monde Diplomatique” (um dos maiores jornais internacionais de analise política) na edição brasileira analisa a situação do licenciamento da Companhia Siderúrgica do Atlântico no Rio de Janeiro.

Na matéria são analisadas as lutas enfrentadas pelas comunidades na tentativa de barrar a instalação do empreendimento e para fazer que sejam aplicadas as condicionantes ambientais. Os moradores da região de Santa Cruz e da baía de Sepetiba no Rio de janeiro não querem que lhe aconteça aquilo que faz mais de vinte anos os moradores do Piquiá de baixo estão vivenciando cada dia morando ao lado de 5 usinas siderúrgicas que foram instaladas bem depois da chegada dos primeiros moradores.

Em seguida publicamos o trecho final da matéria do “Le Monde Diplomatique”:
a baía de Sepetiba parece condenada a repetir a história de outras comunidades que foram obrigadas a aceitar empreendimentos poluidores. Um caso emblemático de tal situação é a comunidade de Piquiá de Baixo, no interior do Maranhão, onde foram implantadas empresas produtoras de ferro gusa vinculadas ao Programa Grande Carajás. Como conseqüência, os moradores passaram os últimos vinte anos lutando contra contaminação, adoecimento e, principalmente, um sistema de monitoramento ambiental pouco transparente. Atualmente, a última batalha que vem sendo travada pelas 350 famílias que ainda resistem em Piquiá de Baixo é pelo direito de serem removidas dignamente de suas terras tradicionais para longe da poluição dessas empresas.

Somente nos próximos anos saberemos se este também será o destino das comunidades de Santa Cruz e Sepetiba. O presente destas pessoas vem sendo decidido por atores que não sofrem as conseqüências das decisões que são tomadas. O que ocorrerá no futuro dependerá da organização dessas comunidades, de sua capacidade de resistência e dos vínculos de solidariedade e aprendizado que elas vêm construindo com outros atingidos por projetos siderúrgicos passados, como Piquiá, ou futuros, como a CSU, em Anchieta (ES), e a ALPA, em Marabá (PA). Essa organização e aproximação, a nosso ver, abrem possibilidade para que grupos que sofrem os prejuízos e danos do “desenvolvimento” sejam ouvidos e modifiquem a correlação de forças que influenciam as decisões públicas sobre tais empreendimentos.[1]

Piquiá de baixo continua na luta pelo direito a uma moradia digna, no próximo mês de maio muitas iniciativas estão marcadas para que o processo possa continuar e a luta levada para frente pelos moradores se transformou em exemplo nacional e internacional na defesa dos direitos.
Os moradores do Piquiá de baixo são hoje o verdadeiro orgulho açailândense.    



[1] Crônica de uma morte anunciada: o licenciamento da Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro
Bruno Milanez, Marcelo Firpo de Souza Porto, Karina Kato, Dário Bossi, Danilo Chammas. Em “Le Monde Diplomatique” edição brasileira, Abril 2011 

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